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» Pepitas Bíblicas:
7.8.09

Vivendo dentro das nossas possibilidades

“O dinheiro é um bom servo, mas um mau conselheiro” - Provérbio Popular


moneyUm certo desenho mostrava um casal envolto numa imensidão de documentos de pagamento. Um deles dizia para o outro: “Já reparaste que estamos a pagar por coisas que já não temos com dinheiro que não temos ainda?”. Apesar desta frase soar como caricata, ela descreve a realidade vivida em muitos dos lares dos nossos dias.

As gerações recentes cresceram numa cultura onde a dívida é promovida, com os governos, muitas vezes, tomando a liderança. Alguns de nós, mais idosos, lembramo-nos de poupar até conseguirmos comprar a nova aparelhagem de som, mas este conceito de poupança é estranho para a maioria das pessoas hoje. Decidir realizar, ou não, uma viagem pela quantidade de dinheiro disponível parece uma forma bizarra de pensamento nos nossos dias. Actualmente, um simples cartão de crédito põe nas nossas mãos a capacidade de comprar qualquer viagem, mobília, ou qualquer outro desejo.

Os jovens são bombardeados por companhias financeiras de cartões de crédito, para usarem o seu “dinheiro de plástico” e “tornarem a vida mais fácil”. Que caminho fácil para colocar a juventude na escravatura do dinheiro e das dívidas!

Muitas pessoas com conhecimento são também apanhadas pelas manobras e palavras inteligentes do mundo do crédito. Uma pessoa conhecida contou-nos que tinha comprado um novo frigorífico apenas com 1,5% de juros. Infelizmente, quando tentámos explicar que tal significava uma taxa mensal e um valor percentual anual de 18%, ela sentiu-se insultada.

Outro casal contou que tinha comprado uma nova arca congeladora sem aumentar o valor de pagamento mensal do seu cartão de crédito. Que sucesso para o vendedor! Mas que real infelicidade para o comprador! Feitas as contas eles vão pagar mais de três vezes o valor original do congelador.

A nossa cultura dá ênfase à auto-suficiência e independência. Depois insiste queo pedir emprestado é a melhor maneira de lá chegar. A sociedade, é claro, fazpouco para encorajar o gastar com sabedoria. Mesmo a Igreja, apesar de possuir o melhor manual acerca deste tema, tem falhado em colocar os cristãos na melhor prática. O resultado é o estado de muitos, envoltos em dívidas de uma forma rápida e profunda. Eles muitas vezes estão tão envergonhados da sua condição que não procuram, ou não sabem onde procurar, a ajuda necessária. Por vezes podem pensar que o seu estado é tão grave que está além de qualquer ajuda possível.

Mas a verdade é, uma ajuda prática e da Bíblia está disponível para que as pessoas possam viver segundo as suas possibilidades. Podemos obter a correcta perspectiva acerca do dinheiro e dos bens e então aprender como podemos comportar-nos com a dívida.


Um perigo espiritual

Primeiro, os crentes devem ter consciência de que gastar acima das suas posses vai afectá-los espiritualmente. Nos tempos do Antigo Testamento, Deus requeria a atenção do povo de Israel: Ele não queria que o seu povo servisse os deuses pagãos.

Da mesma forma, Deus requer a mesma atenção de cada um de nós: Ele não quer que nada interfira com a nossa comunhão com Ele ou que compita com Cristo como Senhor das nossas vidas (Mateus 6:24; 1Timóteo 6:9-10). Quando o dinheiro e os bens tomam a primazia, eles tornam-se ídolos.

O materialismo também abala a nossa confiança em Deus como o nosso sustentador. Ele põe-nos no desastroso caminho da confiança nos nossos bens e naquilo que podemos fazer por nós mesmo. Deixados à mercê das nossas capacidades, vamos tentar qualquer meio para alcançar os nossos objectivos.


Perspectiva e prática

A Bíblia dá uma perspectiva correcta acerca do lugar que o dinheiro e os bens devem ocupar na nossa vida. De facto, ela dedica mais de 2350 versículos a este assunto – tudo acerca do ganhar e gastar dinheiro, do dar e do poupar.

Aqui estão algumas dessas indicações:

  • A terra e todas as coisas nela existentes, incluindo os seus habitantes pertencem a Deus (Deuteronómio 10:14; Salmo 24:1; 50:10; Ageu 2:8).

  • Devemos ser rigorosos acerca daquilo que Deus dá (1Coríntios 4:2; Mateus 25:14-30) e colocarmos os nossos tesouros no céu (Mateus 6:19-21; 25:35-45; Gálatas 6:6; 1Timóteo 5:17-18).

  • Deus controla todas as coisas e assegura as nossas necessidades (1Crónicas 29:11-12; Mateus 6:31-33; Salmo 34:9-10; 145:15-16; Filipenses 4:19).

  • Dar é melhor do que receber (Actos 20:35).

  • Apesar de devermos dar aos outros, também devemos poupar para as nossas futuras necessidades (Provérbios 21:5,20).

  • Não devemos cobiçar (Lucas 12:15) mas aprender a ter contentamento com aquilo que temos (Filipenses 4:11b-13; 1Timóteo 6:6-8; Hebreus 13:5-6).

  • A dívida é uma maldição e uma forma de escravatura (Deuteronómio 28; Provérbios 22:7b).

Não é demais estarmos cientes destes princípios, no entanto, devemos praticá-los. Por exemplo, se acreditamos que Deus supre todas as nossas necessidades, não vamos confiar nos nossos fracos e humanos caminhos e nas nossas possessões corruptíveis e transitórias. Nós vamos procurar o envolvimento de Deus nas nossas vidas – a maneira como Ele possibilita o trabalho, nos treina para aumentar as nossas capacidades, dá conselhos sábios através de outros, dá dons em tempo de necessidade, dá capacidade para bons negócios, etc. Estas experiências reforçam a nossa fé em Deus e aprofundam a nossa relação com Ele.

Uma outra atitude que podemos praticar é o contentamento. Paulo, que sofreu muito por Cristo, escreveu as palavras que se seguem quando estava na prisão sentenciado à morte:

“Não digo isto por precisar de alguma coisa, pois aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei viver na pobreza e também na abundância. Aprendi a viver em toda e qualquer situação: a ter fartura e a ter fome, a ter em abundância e a não ter o suficiente. Posso enfrentar todas as dificuldades naquele que me dá coragem.”
Filipenses 4:11-13

O Contentamento não está dependente das circunstâncias – económicas ou outras. Podemos ter pouco no sentido do mundo e mesmo assim estar em plena satisfação pela nossa relação com Cristo.

Noutro local, Paulo explica de forma mais desenvolvida o significado do contentamento para ele:

De facto, a religião pode ser até um grande negócio, se for praticada sem motivos interesseiros. Quando viemos ao mundo, não trazíamos nada; e, quando formos embora, também nada podemos levar. Se tivermos alguma coisa que comer e com que nos vestir, é quanto basta.
1Timóteo 6:6-8

O contentamento ajuda-nos a manter as nossas prioridades e previne a nossa intenção de desejar coisas tão boas ou mais do que aquelas que existem nos nossos vizinhos.


Eliminando a dívida

Talvez o(a) leitor(a) concorde com estes princípios e deseje segui-los, mas contínua a estar sob o peso desafiador da sua dívida. Aqui deixamos alguns caminhos para lidar com o problema e acabar com ele:

  • Liste cada dívida por credor, valor devido, juros aplicados e condições de pagamento.

  • Estabeleça objectivos para eliminar as dívidas, uma de cada vez, começando pelas mais pequenas ou por aquelas onde são aplicados juros mais altos.

  • Decida reduzir as suas despesas e, se possível, aumentar o seu rendimento. Estabeleça um orçamento e cumpra-o.

  • Analise se pode vender alguns bens para pagar algumas dívidas. Uma boa actuação requer por vezes algumas medidas mais rígidas.

  • Considere a redução do seu nível de vida aparente para reduzir as dívidas: transferir-se para uma casa mais pequena, comprar um veículo de menor custo, etc.

  • Desenvolva uma “resistência às compras” que o proteja de todas as formasde tentação para comprar.

  • Construa uma defesa contra as coisas atractivas para serem adquiridas.

  • Dê tempo, reflicta, e ore quando estiverem em causa grandes somas e negócios. Consulte o cônjuge, amigos, ou até mesmo um perito.

  • A não ser que consiga pagar a conta mensal dos seus cartões de crédito por inteiro cada mês, para evitar a cobrança alta de juros, deixe os seus cartões de crédito em casa. Os estudos demonstram que as pessoas tendem a comprar mais quando têm o cartão de crédito à mão.

Sabedoria e poder da vontade

Viver dentro das nossas possibilidades na nossa cultura actual requer ao mesmo tempo sabedoria e poder de vontade própria. A sabedoria advém da Palavra de Deus e de outras fontes baseadas nesta. O poder da vontade vem de um íntimo cheio da graça de Deus em Cristo e uma mente santificada em obediência pelo Espírito. Com uma fidelidade firme e um bom treino, podemos aprender a disciplina que nos leva a uma vida financeira livre e passar este ensinamento aos nossos filhos, que estão sujeitos a grandes e más influências por um mundo sedento de materialismo.

Deus confia-nos uma certa quantidade de bens materiais durante a nossa passagem nesta vida. Ele pede-nos que os usemos dentro dos mais altos propósitos e condutas. Só os tesouros guardados no céu irão durar para sempre.

 

Autor: LeRoy Dais, Hope Dais - Vivendo dentro das nossas possibilidades

[ LeRoy Dais e Hope Dais servem ao Senhor na Conferência da Igreja de Deus do Sétimo Dia com sede em Denver – Colorado – EUA ]

(Artigo traduzido para português, com permissão, da revista Bible Advocate de Julho – Agosto de 2001) – http://www.iujc.pt

 

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